é um dos principais espaços de prática do Templo. É onde são realizadas as cerimônias diárias, pela manhã e à tarde, pelos monges e monjas, assim como as cerimônias dominicais, realizadas em conjunto com os praticantes leigos.
O Salão também é utilizado para a prática de meditação, recitação e outras atividades relacionadas ao cultivo e estudo do Dharma.
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No altar mais alto, ao centro, está a imagem do Buddha Amitābha (Āmítuó Fó), Mestre da Terra Pura Ocidental. O nome Amitābha significa “luz infinita e longevidade”. Como Bodhisattva, Amitābha fez quarenta e oito grandes votos e criou a Terra Pura para que os seres sencientes tenham oportunidade de renascer nesse local, onde continuarão recebendo os ensinamentos de Buddha e Bodhisattvas.
À direita encontra-se a imagem do Bodhisattva Avalokiteśvara (Guān Shì Yīn Púsà), cujo nome significa “aquele que escuta as súplicas do mundo.” Ele é a personificação da Grande Compaixão, capaz de aliviar as aflições e sofrimentos de todos os seres. Avalokiteśvara vem em auxílio de qualquer um que invoque seu nome.
À esquerda encontra-se a imagem do Bodhisattva Mahāsthāmaprāpta (Dà Shì Zhì Púsà). Mahāsthāmaprāpta simboliza o poder da sabedoria. Ele também é reverenciado por sua capacidade de guiar os seres para a iluminação, ajudando-os a superar obstáculos espirituais e ignorância. Junto com Avalokiteśvara, Mahāsthāmaprāpta é um dos dois grandes Bodhisattvas que acompanham o Buddha Amitābha na Terra Pura.
No altar intermediário se encontra a imagem do Buddha Śākyamuni (Shì jiā móu ní Fó). É o mestre original e fundador do Buddhismo.
Uma breve apresentação da vida de Buddha Śākyamuni:
Siddhartha Gautama, que mais tarde se tornaria conhecido como Buddha Śākyamuni, nasceu por volta de 470 AEC, em uma família real no atual Nepal. Protegido pela riqueza e luxo, viveu isolado das realidades do sofrimento humano até sair do palácio e testemunhar a velhice, a doença e a morte. Abalado por essas visões, abandonou sua vida de príncipe aos 29 anos para buscar uma maneira de superar o sofrimento. Após anos de práticas austeras e meditação profunda, ele atingiu a iluminação sob a árvore Bodhi, em Bodhgaya, tornando-se Buddha (“o desperto”). Passou o resto de sua vida ensinando o caminho para a liberação do sofrimento, até sua morte aos 80 anos, quando entrou em Pari-nirvāṇa (Nirvāṇa completo), marcando a completa extinção de qualquer resquício de existência condicionada. Seu ensinamento central, o Dharma, oferece métodos para que todos superem os ciclos de renascimento e alcancem a iluminação.
No terceiro altar encontra-se a imagem do Bodhisattva Kṣitigarbha (Dìzàng wáng Púsà). Seu nome pode ser traduzido como “Tesouro da Terra” ou “Matriz da Terra”. É reverenciado por seu grande voto: “não alcançarei a completa iluminação até que todos os seres dos reinos infernais, sejam liberados de suas aflições. Até que os infernos estejam vazios, continuarei a oferecer ajuda e orientação a todos que ali habitam.”
Nas laterais, encontramos as imagens dos guardiões:
Localizado à esquerda está o Bodhisattva Sangharama (Qié Lán Púsà), o guardião do Mundo Oriente. Originalmente foi o grande guerreiro chinês Guān Yŭ (Kwan Kung) do Reino de Shu, conhecido por sua lealdade e justiça.
Durante a Dinastia Sui, o Venerável Mestre Zhi Yi teve uma visão de Guān Yŭ, que se comprometeu a apoiar o Buddhismo. Ele ajudou na construção de um mosteiro transformando o terreno ondulado em uma planície adequada.
Posteriormente, Guān Yŭ se converteu ao Buddhismo e fez o voto de proteger os praticantes buddhistas. Como Bodhisattva, Qié Lán é venerado como o devoto guardião dos mosteiros.
À direita, temos o Bodhisattva Veda (Wéituó Púsà) – guardião do Mundo Ocidente. Protetor dos templos e do Dharma, é frequentemente representado como um guerreiro segurando uma espada ou um cajado, que simboliza sua força e determinação em proteger o Buddhadharma e seus praticantes monásticos e leigos contra influências negativas.
Sobre a mesa do altar buddhista, é comum encontrarmos flores, frutas e incenso, tradicionalmente oferecidos aos Buddhas e Bodhisattvas. Essas oferendas não têm o propósito de agradar seres iluminados no sentido mundano, pois os Buddhas não necessitam de nada. Seu verdadeiro significado é simbólico e pedagógico.
A prática de oferendas expressa gratidão, respeito e reverência aos Buddhas e Bodhisattvas e, sobretudo, funciona como um método de cultivo interior. Ao oferecer, o praticante exercita a generosidade, reduz o apego, desenvolve humildade e fortalece a mente desperta. Dessa forma, as oferendas não são um fim em si mesmas, mas um meio hábil para a transformação da mente e o aprofundamento do caminho buddhista.
A Flor de Lótus
No altar temos algumas representações da flor de lótus. O lótus é um dos mais importantes símbolos do Buddhismo e representa pureza.
As flores de lótus simbolizam como podemos nos elevar sobre o “lodo” (aflições) da vida e chegar à purificação através de nossa prática. Assim como o lótus cresce nos pântanos e suas formosas flores se elevam sem contaminar-se, nós também podemos nos elevar sobre as privações e atribulações da vida e alcançar a Iluminação.
A Bola de Cristal
Os cristais simbolizam o diamante, que no Buddhismo representa qualidades preciosas para o caminho: sabedoria e compaixão.
– Sabedoria → assim como o diamante corta qualquer material, a sabedoria corta as raízes do sofrimento: cobiça, raiva e ignorância.
– Compaixão → assim como o diamante (prisma) reflete a luz em todas as direções, a compaixão se expande igualmente, desejando bem-estar, segurança e paz a todos os seres.
Na ausência de diamantes, recorremos aos cristais para representá-los simbolicamente.
Incensário
Para os buddhistas, o ato de acender incensos desempenha um papel simbólico e prático. Alguns motivos pelos quais os incensos são usados:
Simbolismo: o incenso é considerado um símbolo de purificação, transformação e conexão espiritual. A fumaça que sobe do incenso simboliza a elevação das preces e pensamentos positivos, dissipando-se e conectando-se com o espaço vasto e a consciência plena.
Lembrança dos ensinamentos: O aroma do incenso pode evocar a prática espiritual e trazer serenidade à mente. Sua presença serve como um lembrete dos ensinamentos do Buddha, inspirando o cultivo da sabedoria, da compaixão e da atenção plena no cotidiano.
Reverência e respeito: acender incenso é uma forma de mostrar respeito e reverência ao Buddha, aos mestres espirituais e aos ensinamentos do Buddhismo. É uma maneira de expressar devoção e honrar a tradição.
Caixa de colaboração
No Salão Cerimonial, há também uma Caixa de Colaboração, onde as doações são bem-vindas, independentemente do valor.
Algumas das virtudes exaltadas pelo Buddhismo são: a generosidade, a gratidão e a doação. Sua prática produz muitos méritos.
Sinos, tambores, peixe de madeira e outros instrumentos que se encontram no interior do Templo, só podem ser tocados pelo Saṅgha (comunidade monástica) ou por pessoas autorizadas.
O Grande Sino da Essência (dà zhōng), que fica pendurado no teto logo à entrada do salão cerimonial, é o mais representativo para a comunidade. Uma curiosidade sobre esse sino, é que nele está gravado o Sūtra do Coração, um texto bem importante dentro da liturgia buddhista, pois fala sobre o Śūnyatā.
O Grande Sino e o Grande Tambor (que fica pendurado na outra entrada do salão cerimonial), são tocados somente em alguns rituais especiais ao longo do ano.
Grande Sino (dà qìng).
O “dà qìng” é um instrumento de percussão usado principalmente nas cerimônias. Trata-se de um grande sino de metal em formato de tigela que emite um som profundo e ressonante quando tocado.
Com a intenção de chamar a atenção dos praticantes para momentos específicos de concentração e reverência, o som do sino é visto como um chamado à prática da atenção plena e da consciência, trazendo os praticantes de volta ao momento presente.
O Peixe de Madeira (mù yú)
À esquerda do altar fica o peixe de madeira (grande). Este instrumento de percussão desempenha um papel essencial na condução e sincronização do ritmo durante o canto e a recitação dos Sūtras nos rituais.
O “mù yú” é um instrumento de madeira em formato estilizado de peixe. Como os peixes nunca fecham os olhos, mesmo quando dormem, ele simboliza a necessidade de estarmos sempre atentos e vigilantes na prática do Dharma.
Existem também versões em tamanhos médio e pequeno (portátil), sendo este último utilizado quando é necessário tocar o instrumento enquanto se desloca.
Sino Invertido de Mão (yǐn qìng) — Versão portátil do sino maior, é um instrumento de percussão utilizado durante as cerimônias para complementar a condução do ritmo e da harmonia do ritual.
O Tambor com Sino (líng gǔ)
Mais um instrumento de percussão usado para conduzir as cerimônias.